Mostrando postagens com marcador Leandrah. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leandrah. Mostrar todas as postagens

Singular Idade

Nossa pluralidade

Em um verso...

Comum?

Una o verso:

Universo

E pelo inverso

Somos um*

Minha sogra viu minha bunda

Estive pensando sobre ela ter visto essa pequena saliência de crateras maiores que a vulgaridade explicita. Logo percebo que o problema não foi ela ter visto uma bunda, afinal existem bundas pra todo o lado ( televisão, outdoors, supermercado, bares, igrejas, praças, bancos, floriculturas, prefeituras, terreiro de umbanda...) nunca vi ninguém que não tivesse um pedaço de carne molenga pra amortecer o descanso ao sentar (a não ser a inspetora da escola, quem estudou comigo sabe), a aflição contida nessa história toda, foi que a coitada da minha sogra, que nem é minha sogra, viu a MINHA BUNDA.

Eu não sou do tipo brasileira padrão, começando pela intolerância a calor, cheiro de churrasco e calcinha de biquíni contornando a separação de nádegas redondinhas, que da vontade de passar a mão rezando pai nosso e estalando o mindinho do pé... Minha bunda não chama atenção, ela é algo irrelevante... Tão irrelevante que... NÃO, EU NÃO ANOTEI A PLACA DO CARRO!

Eu sei que ela não ficaria surpresa com a minha cara de pau se houvesse se surpreendido primeiro com uma bunda linda, redondinha, lisinha e suculenta... Será que ela rezaria o pai nosso?

Bom, o Credo foi pronunciado com toda certeza, tenho fé quanto a isso... E entre orações e mantras, espadas e escudos, cicatrizes e neon... Sinto-me como uma minhoca gorda e suada, na onde suas extremidades... Suas extremidades... Ah, amigo... A cara aqui também é de bunda.

Pescaria


Eu queria dizer uma coisa bonita, algo que fizesse sentir a dormência de uma manhã pré-amanhecida às 23:50, que transcendesse 900 km e calçasse os pés daquele que manca na sabedoria.
Eu queria uma forma bonita de descrever o trajeto da lagrima de meretriz, ressaltar o brilho, feito verniz, no rosto ilustre de quem forja a aparência de santa.
Eu queria dizer alguma coisa muito bonita com os dentes pintados por caleidoscópios, os olhos brilhando como fantasia de escola de samba, e no cabelo, a mais cintilante fita.
Mas poesia se cansou de flores e espera a próxima, inóspita, estação.
Deitada sobre essas linhas as entorta com sua densidade.
Entre linhas a palavra permanece pura,
germina na boca,
ganha idade,
ultrapassa sinônimos velhos,
multiplica seu peso e reação.
Muda, eu reconheço o que eu procurava de belo, linda moça, veja só...
Transformou-se em palavrão.

Death By Blonde

Achei esse curta-metragem no Barco Bêbado e fiquei me perguntando: Como não postar isso no Irmã Feia?
É nossa cara: É musica, poesia, psicodelia e frustrações amorosas. Sem querer levar isso pelo lado negro da força, quero dizer que é como vivemos: Os instintos se manifestando com arte e pela arte instintiva. Saboreiem...



Consentimento Ilusório Real

Somos frutos de pensamentos! Nada do que somos ou fazemos se dá espontaneamente, até por que o que 'fazemos' é sempre coerente com quem 'somos' e o que somos além de títulos que nos atribuem? Quanto aos títulos, aceitamos devido ao nosso grau de compatibilidade de força pra sustentar o mesmo rótulo. O rótulo, sendo um conceito, foi pensado antes pra ser estipulado assim ou assado. Bom ou ruim... Relatividade crônica. Dai se da as multifacetas e todo o caos interior. Existe a sua essência, mas existem as vertentes atribuídas pela essência dos outros seres que são* conforme essências anteriores, essencialmente, criadas por sua vez. O tempo é movimento e o ser* é imaginação movimentada por união de todos os movimentos imaginados. Corte as cordas que te manipulam e consentirá com a vontade do chão.



Um brinde à todos os brindes


Hoje eu bebi demais... A ressaca de amanhã só é importante pra algum cientista louco.

Eu bebi, traguei um gole de cerveja amarga pensando no bom vinho ainda gelando... A minha loucura se empalideceu na alcatéia dos alucinados, dos boêmios freqüentadores de bancos vazios e gramas em que canções solidificaram um sorriso salgado.

Todas essas esferas frias me atormentam, toda essa demora digna de um cobertor ocupado me deixa como uma louca furiosa, que tem medo de perder a dignidade, que tem medo de agir com maldade e sempre acaba com o isqueiro no próprio peito.

A ausência intensificada, um telefonema frustrado, e tudo o que me resta é o frio que me sobe a boca... Desejando apenas ser coberta por outros lábios que ganharam nome de: Seus.

E minhas palavras acabam se perdendo nos olhos lacrimejados de álcool. Toda ideologia soprada por um maço de Marlboro.

Amanhã eu serei perdoada, terá parentes em minha casa e elogiarão o meu sorriso branquinho. Vai ter abraço e saudações. Vai ter cachaça e carne sangrando. Vai ter meu corpo e meu consentimento. Vai ter fundo de copo solitário.

Mas hoje eu bebi demais e tem prazer o reconhecimento por ter bebido, fumado e morrido concordando apenas em ressuscitar ao seu lado em uma dessas coleções matinais... Com as orelhas geladas e os pés aquecidos.

Canção do Inverno


Contrariando Cazuza,
fiz um blues em tua homenagem
O inverno é amanhã, Baby Maçã...
Eu vou rimar em você minhas ultimas bobagens

É que talvez não tenha se tornado um fruto proibido...

Teria entrado em meu quarto

Assim como aquele disco entrou no meu ouvido.

A fruta que caiu, perdeu o gosto pela intenção da mordida

Baby, Baby Maçã

Prepare seu agasalho marrom, tire as manchas que o tempo bordou
O inverno é amanhã
Sua boca pintará a despedida, a partida é feita de batom
O caminho carimbado com pegadas de semi neve
A próxima estação é a parada que eu não lembro o nome
Sonhei uma vez que era homem e contrariava os meus sonhos breves
Não adianta sonhos normais
Eu quero esquecer o que tenho de viver e não vou lembrar mais
Baby maçã, o inverno é amanhã!
Hoje eu ainda me sinto quente e preciso me resfriar
Não posso esperar
Arrume outras meias, retoque mais uma vez seu batom

Bobagens ... São lembranças que pesarão no bolso de dentro do agasalho marrom

Então a musica vai tocar quando você não for tocada... Ai, ai... Você escuta...

Passe o outono descobrindo a gravidade, o verão rabiscando a areia com suas insanidades

O inverno é amanhã, eu estarei longe inventando primaveras, buscando alguma outra fruta.

Baby maçã

O mundo é de quem sabe transitar entre suas estações

Ele é tão singular, não necessita de quem saiba amar, ele só quer influeciar...

Multiplicar as gerações...

Eu queria ser uma fotografia.

Eu queria ser uma fotografia...

Ficar renunciada em uma única posição, deixar todos os conceitos transpassarem perante a ótica de quem vislumbra.

Uma pose qualquer, fundiria em mim todos os significados que extrai do mundo. Um cigarro no dedo, uma paisagem de concreto perdida em meus olhos. Tudo que eu diria em meus extremos, solidificados e imutáveis.

Não haveria oscilações de humor e meu sorriso não se apagaria, nem meu cigarro acabaria.

Confortavelmente, eu eternizaria sentada em um mundo pessoal. Em um mundo que funcionaria como esse: Eu sendo reflexos das opiniões alheias, conceitos pré-fabricados e uma dose do que eu não sou pra mostrar quem eu fui. A diferença é que eu permaneceria, meu cérebro estaria intacto, e não sofreria com o tédio. Cada vez que eu me mostrasse, seria ainda mais belo pela persistência de permitir o tempo bronzear o meu papel. Ele jamais passaria em branco.

A insistência bruta da imobilidade mostrando tudo que eu não sou capaz: Ser apenas uma imagem.

Quanto as minhas influências, isso já é papel pra outro papel. Talvez um de folha grossa onde eu possa desenhar com minha mão densa sem correr o risco de rasgá-la.

Cores, mais cores e nada mais que uma fotografia novamente. Na onde tudo se contrai em uma idéia fixa de imortalidade, na onde tudo se dilata nos extremos das possibilidades.

Primeira Pessoa do Plural

Nunca pensei com prioridade quem sou eu. Cada dia que eu olho em algum reflexo meu, seja de vidro ou de papel, vejo pessoas tão diferentes... Já fui tão pequena e com formas estranhas, 1, 4, 6, 12, 13, 15, 21 anos... No mesmo ser que não foi apenas um. Quantas expressões, quantas formas faciais, quantos apelos e desejos diferentes acumulados em uma visível nostalgia quando divago em algum álbum de fotografia pessoal...

Eu sou um aglomerado de todas essas influências, sem direito de rotular como boa ou ruim. A relatividade evidente e inegável é só uma forma de simplificar a atividade sistemática de qualquer organismo. Posso ser a moça tímida, a ousada, a megalomaníaca camuflada. Mesmo assim, eu não seria contraditória. Eu seria eu, nada alem de um único ser e muito longe de ser única assim.

Somos iguais nas possibilidades que abrange o universo. A forma de se destacar, o que é conveniente, não é o medo que eu admito ter e nem o defeito que eu insisto em dizer pra soar como qualidade. O ambiente, as pessoas, a temperatura, os odores, a visão... Não anulam as influências causadas pela presença simples e não menos caótica, quando paro pra me analisar e acabar com um ponto de interrogação lacrando a boca. Eu não sou. Eu dependo de quem acha que é pra poder me refletir e atuar sobre o roteiro clandestino que me apresentam de mim mesma. E quem ta achando, não interfere na certeza que o define, não o desvaloriza quem é em um momento que sabe o que está sendo. Tudo pela relatividade, tudo por que depende... Dependendo do ponto de vista, dependente do Uno* que somos todos nós em um todo só.

Universo é exato pra ser o que é agora... Um cálculo certo, que mesmo se fosse diferente ainda assim seria o único. Por que o equilíbrio que nos rege, consiste em todo o caos que existe, como uma forma de destorcer pra sempre encaixar. Homogeneidade é a tendência de TODAS as coisas existentes e até mesmo com as que não existem, pelo fato de não conhecermos... Tomando nome de Deus pra tampar as “falhas”. Encaro a minha ignorância sem me condenar por ela, involuntariamente dissipo vitalidade pra falar de existencialismo... Não passo sobre minhas transmutações, fantasiadas de tempo, tentando ignorar a existência que constantemente me aborda e me preenche influenciando da mesma maneira que é influenciada por mim. E a minha influencia é fruto das mesmas influências que sofri outrora.

Somos grandes liquidificadores, embaralhamos as texturas casuais e geramos pasta para moldar outras possibilidades em uma mesma probabilidade: A certeza que o certo é o que se faz, independente de qual seja ele, não existe dualidade no final das contas. Pecado, Deus, sim, talvez, opções... Isso e mais outras milhares de manifestações existem para contrastar, encaixar e permanecer no abstrato homogêneo, resultando no final dessa equação, que varia as ordens dos fatores dependendo de quem a calcula, em um único resultado.

Não fui a mesma criança que tenho impressão de ter sido. Com o mesmo caos admito toda a existência, assim como eu fui várias, o mundo existe em vários e por vários. E da mesma forma que me guardo em um estereótipo chamado de EU, o mundo calculado comigo e com mais tantas singularidades se torna plural em um estado ímpar perfeito e homogêneo: Único, um, uno, universo.

Tudo termina onde começa. 1 é um por ele só. 1+1 será 2, que como em qualquer outra conta será UM resultado. Sou a soma de todo o mundo. Sou o universo sendo parte dele.